sexta-feira, 26 de agosto de 2016

na madrugada posso me perguntar o que sinto
escutar minha pergunta ecoar até sumir
até penetrar no ar
até fazer redemoinho em mim
ia falar outra coisa
é bom poder ter
minha estranhezinha de viver
compartilhada
ia falar outra coisa
na música calma da madrugada
um latido rouba a cena
e depois para
ia falar outra coisa
na verdade
no meu pas de deux com a noitada
tirei um poema como se tira uma carta
tirei um poema como se lesse os astros
tirei um poema como se tira alguém pra dançar
um poema me tirou
como me tira o tarô
um poema do lemiski
franco atirador
:
"Rimo, rimo, miras, rimos,
como se todos rimássemos,
como se todos nós ríssemos
se amar fosse fácil.
perguntaram por que rimo tanto,
responder que rima é coisa rara.
O raro, rarefeitamente, para,
como para, sem raiva, qualquer canto.
Rimar é parar, parar pra ver e escutar
remexer lá no fundo do búzio
aquele murmúrio inconcluso,
pompeia, ideia, Vesúvio
o mar que só fala do mar"
não é curioso?
que poema
pode também ser
horóscopo?

domingo, 5 de junho de 2016