quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Leitura diária

tudo fala sobre nós. cada gesto. cada palavra. uma foto. uma vírgula. uma levantada no meio do assunto. parados. sentados no banco da lanchonete. a braguilha ficou aberta. a presença repentina. um presente fora da data. 2 talheres largados ao lado do prato. açai com muito pouco xarope. de preferência mel. desculpe-me, não consegui ir sua festa de aniversário. aquilo que você falou tão bem e tanta gente achou legal me contou tudo sobre a sua carência. essa quantidade de maquiagem também. eu ainda prefiro gente que esperneia. sempre. a curtidinha discreta pode ser apenas uma evidência da dificuldade de proferir um elogio. deve ser profundo pra você admitir. mesmo sabendo desse segredo que nunca confessou eu consigo manter você por perto. não tem problema, pelo menos por enquanto. mas sim, as vezes incomoda [um olhar mudo] tudo que briguei era só pra dizer eu te amo. 
o ponto do ponto final é o mesmo pontinho da interrogação?
Não é porque é prosa, que não pode virar poesia.
É tão evidente que tudo fala o contrário.
Muito mais a ausência.
Mais ainda o silêncio.
Tudo, absolutamente tudo que deixamos de dizer, grita sobre nós.

Estou aprendendo a ler tão bem o silêncio.
e confesso,
é assustador.


                                     


(não se iluda com tudo isso que você não falou e achou que passou batido. eu sei exatamente quem você é)