quarta-feira, 4 de abril de 2012

Em janeiro

fui visitar uma grande amiga. entregar um presente. eu sempre acho que vou passar lá e ficar 30 minutos, mas sempre dura no mínimo 3 horas, ou 1 ou 2 garrafas de vinho e eu saio bebada em pleno meio-dia pelas ruas do Leblon. ela me deu a coisa mais linda que recebi nos últimos tempos. uma frase. talvez eu já tivesse escutado essa frase, mas naquele dia eu a recebi de presente, então foi diferente. ela era pra mim. Veio escrita numa embalagem, dentro tinha um colar de prata com um pingente de cristal que parecia uma estrela.

Aceitar o caos, perceber o caos, transformar o caos

eu, muito acelerada, falo muito sozinha. Pierre me chama de maluca sempre, por causa disso, entre outras cosas, ele diz que falo só em uma quantidade absurda. que quando não falo alto, mexo o lábio, ou seja, penso alto o tempo todo. todo o mistério do meu planeta seria facilmente desvendado por um surdo, pois eles lêem lábios muito bem. Os surdos saberiam mais de mim. Os surdos sabem mais sobre qualquer pessoa. Mas o fato é que falar sozinha me livra de muita coisa, como por exemplo, terapia.  Nunca fiz terapia, e meio que acho legal ter conseguido sozinha superar tanta coisa sozinha. Minha terapeuta é o vento que me escuta, eu falo muito pra ele, repito inclusive, ensaio diálogos, brigas, conversas importantes, invento peças, filmes, repito coisas que aconteceram, que eu achei engraçadas ou tristes. e principalmente, digo coisas que eu devia ter dito. Que pena que me dá, tenho vontade de voltar na cena (isso daria uma cena) e dizer tudo aquilo que devia ter dito. O problema é que sou tão, mais tão distraída, que as vezes nem percebo a ofensa que recebi, e só depois quando chego em casa, percebo " iii aquilo foi uma ofensa". Tarde demais, então, desconto, discuto com o vento. Por isso tenho preguiça de contar minhas coisas pra minhas amigas, porque geralmente já contei muito pro vento. Por isso também tenho preguiça de gente que adora contar e contar e repetir pra todos coisas sobre elas mesmas, são chatas porque não falam com o vento. Também serve pra extravasar a quantidade de pensamentos, ideais e julgamentos. sou virginiana, reflito sobre tudo! E percebi o quanto questiono o tempo todo sobre as atitudes que tomei, se foram ou não éticas.
Consigo enxergar o lado do outro como poucos, e acho que isso é um dom.

eu sei defender meu inimigo

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Tenho uma vontade.
me isolar completamente e escrever, escrever até não sair mais nada. Virar noites e dias e escrever. Escrever é também falar, então mais um vez eu falo sozinha. e quem me lê, faz também o exercício dos surdos. 




Só aquele que leva o caos dentro de si, pode dar a luz a uma estrela dançarina
                                                                                                                     Nietzsche

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