quinta-feira, 21 de abril de 2011

Don Juan

Foi parar num bar, num domingo inesperado, com roupa da praia, as 18 hs já era outono no Rio. A temperatura morninha, fresquinha de brisa, abraçava, fazia carinho na pele. Numa outra mesa, de repente percebeu aquele professor, de quando tinha 15 anos. Ele era muito bonito naquela época, mas ela com 15, criança demais, nunca pensou. Naquele bar ele já não é tão bonito, nem ela tão criança. 15 anos se passaram. Mas ainda sim, os dois guardam um pouco do que foram: um homem e uma menina que cresceram. Se cumprimentam de longe. Ela nem lembra mais o nome dele perfeitamente. Vai ao banheiro. De repente um estalo, volta. Bebe mais um copo de sangria, ele mudou de mesa, está com amigos. Ela vai ao banheiro, no segundo andar, antes que pudesse entrar, num relance, ele aparece. Se aproxima da pia com espelho que divide o banheiro feminino e masculino. se aproximam. O bar já não estava cheio, o segundo andar particulamente vazio.

- vamos trepar , ele diz
- trepar talvez não, mas podemos dar uns beijos
entram num dos banheiros.

O tesão é que nem um vírus. Encubado num corpo sem manifestar sintomas. Quieto. O tesão iberna e acorda faminto num outono de aquecimento global. Acredita na inocência. Acredita no destino.

o gosto do beijo, acorda com ela
um sonho erótico também deixa marcas.

sábado, 9 de abril de 2011

é assim que eu me apresento



quinta-feira, 7 de abril de 2011

Ten Chi - céu e terra de Pina Bausch

I can´t ask you all the questions


You can´t give me all the answers


I had witnesses


You had none


I loved

Pra chegar foi turbulento assisti à beira das lágrimas, à beira da boca, dos olhos e dos ouvidos

*


é impossivel não pensar no que está acontecendo no Japão.


No que está acontecendo conosco


No que está acontecendo comigo


*


Gosto de observar a platéia quando entro num espetáculo, as moças cariocas andam ansiosas, usam meia-calça mas ainda está calor. Os catálogos e as revistas deixam as meninas apressadas pro inverno que ainda não chegou. Olho tudo. Nesses momentos tenho a impressão que tenho mais talento pra observar do que pra qualquer outra coisa no mundo. Tem um homem que também observa. Não diz nada, nem com a expressão. Não consigo decifrar o que ele está pensando. Ser de alguma forma indecifrável torna uma pessoa imediatamente instigante. Ao meu lado tem um velhinho bem velhinho. eu adoro os velhinhos. Penso 'está a beira da morte'. depois penso 'como todos nós'. ele não está mais próximo da morte do que eu por mais que possa parecer. Saudade da minha vó Rosa. preciso ir a Bahia.



Os dançarinos são os artistas que tem a relação mais livre com o próprio corpo. e com o corpo do outro. Por isso eu os considero revolucionários. No século 21 ainda não temos liberdade com o nosso corpo nem com o corpo do outro. Teatro pode ser muito chato, mas quando ele acontece, ninguém pode mais roubar esse momento de nós.



'quando não há mais o que dizer é porque chegou o momento de dançar' Pina Bausch