sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2 mil Elevem!

31.12.10


eu sei que é apenas mais um dia, como todos os outros. dizem os céticos. eu tentei ser cética. mas no fundo eu sou mística então chega de tentar dissimular e disfarçar. Nenhum dia é igual ao outro. eu curto Ano Novo. gosto dessa coisa de acabar e começar. live and let die, reza a tatuagem na cintura da Cléo Pires. sendo verdadeira ou photoshop da Playboy, eu acredito na cintura da Cléo Pires. Manda o calendário Gregoriano: nesse único dia, tudo fica pra trás e diante do próximo segundo, tempos nunca dantes navegados. que alívio. todo dia pode ser acabar. todo dia pode ser começar. mas um dia em todos acreditam que pode acabar e começar naquele minuto, naquele segundo paff!!!

nota-se: hoje a maioria dos humanos comemora Ano Novo.

os humanos são curiosos. se vingam até das criaturas invisíveis. se vingam do tempo.
os dias são as rugas do tempo.



1.1.11







Amo ano ímpar. nasci em ano ímpar. Copacabana estava linda. eu mais sobria do que nunca. confesso que tive medo. ele me convenceu. encarei com amor esse clichê carioca, aquele mar de gente de branco. de Oxalá, de Iemanjá no altar. fui da Van! e fiquei lá mesmo onde ela me deixou, feliz, na Francisco Sá. eu e ele.

a gente se ama e a gente se basta. ter alguém. ser de alguém. no fundo é isso, ou então é ao contrário, a gente é que se doa. mas isso não vem ao (a)caso.

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Ah os FOGOS!! Como é linda a explosão. Dá uma emoção, aquelas luzes explodindo. e as cores pipocando. a alma explode junto. e a gente fica assim, olhando maravilhado

*

Saquarema 2008/2009. a praia de Vilatour era nossa. A gente descobriu a MELHOR COISA DO MUNDO. correr com os fogos! é assim: quando explodir você corre, corre, corre junto com a explosão. parece que a gente explode também correndo e espraiando o estilhaço brilhante. depois você vai cair cansado na areia e vai rir aquele riso de criança que fez aventura, aquele riso bobo que não sabe bem porque mas que se entende a felicidade.

***

quando eu tinha 12 anos a melhor coisa no mundo era pular do sofá, na hora exata do 3,2,1,0 e comer uma uva. e fazer um desejo . eu nao me lembro o que eu desejava naquela época. não consigo lembrar de nenhum desejo. acho que eu queria que o Marcos gostasse de mim.

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na viranda eles colocaram música clássica. ficou bonito. épico. teve uma hora que rolou samba com clássico

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fomos eu e ele. sem avisar ninguém. fomos. como no fundo somos. eu e ele. sou par
cuidar é bom

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Shopping Nova América

Tem um menino caído na passarela
caído na passarela que leva a um shopping
não sei caído de que
se caído de desmaio, de sono, de morte ou de cansaço
o menino é negro
mas eu não preciso dizer que o menino é negro
meninos caídos na passarela são todos negros
as pessoas passam pelo menino
e pulam o menino caído no meio do seu caminho
eu não
eu paro diante do menino
quero tocá-lo pra ver se lhe resta vida
pra ver se resta vida em mim
me aproximo e sinto a respiração mansa
e corro em direção ao segurança
falo que tem um menino caído
ele diz que não trabalha na passarela
que trabalha no shopping no fim dela
que ligou pros bombeiros
o menino caído espera transparente
quase sem vida
em meio a centenas de transeuntes
o menino caído e os transeuntes são o mesmo
falta vida também aos transeuntes
que pulam o menino caído e vão ao shopping fazer compras de Natal