domingo, 24 de outubro de 2010

devaneios de domingo

28.09.2010

Estou lendo Os diários de Susan Sontag. Letícia tinha razão. faz tempos que não leio um livro com tanto prazer. esse prazer de ler em qualquer brecha, no intervalo do ensaio, no ponto do ônibus, de levar na bolsa pra qualquer intervalo. como é bom ver a vida, fragmentada, e sincera de uma mulher interessante. e 'QUE MULHER'. ela me inspira. inclusive a retomar minhas anotações diárias. e colocar datas, pelo menos de vez em quando. os números também falam. me lembrei de quando era pré-adolescente, a internet ainda não era acessível e tinhamos costume de fazer diários e muitos vinham com cadeados (fofíssimos). hoje o blog não deixa de ser um diário, mas ele não é privado e isso muda tudo. tem coisas que tenho medo de confessar até para um diário. as piores coisas. as melhores coisas. ser completamente franca ao ponto de cravar isso num papel exige coragem. é preciso ter coragem.

----

tenho um cíume egoista das coisas que mais gosto. como livros. tenho ciúmes das coisas que não são minhas.
ridícula.

-------

ele disse que já beijou todas -todas, todas - as partes do meu corpo

ele tem o mapa do meu corpo em sua boca


----


4.10.2010

falar sobre o filme e o cinema
sobre as eleições
sobre desejos

---

escrever: O elogio ao inimigo

-------

13.10

ouvir: Julie London

conseguir: ler Ulisses

meditar

ver: O filme do Joy Division

--------

o mais difícil de todas as decisões é ROMPER
ROMPER


R O M P E R

--------

16.10.2010

pintei as unhas de lilás, que cor linda, depois pintei de laranja. não pinto as unhas sempre. gosto delas curtas e nuas. mas quando faço fico hipnotizada olhando pras mãos o tempo todo. olho pra elas fazendo tudo, pegando algo na prateleira, abrindo a maçaneta. parecem mãos alheias. lindas e alheias





------

domingo 17

Praia. eu e Pi. a primavera é a melhor época do ano: sol gostoso, flores explodindo e poucos turistas. encontramos J e N no caminho, pegamos carona. eles tinham uma prancha de surf no carro. obaa! no caminho eles acenderam um. isso me lembrou meus 17 anos quando tudo na vida era ir pra praia surfar e sempre no caminho acendiam um. vários litorais. leblon, reserva, joatinga, grupari, floripa, garopaba, guarda, rosa, olivença, san diego, trestles, arpoador. hoje arpoador. por do sol sentado na prancha. vida de golfinho. hoje ponho a ganga na areia (quem diria) como se tivesse nascido fazendo isso. a vida pode ser bela e a felicidade chega quando a gente se distrai.

-----

atração. funciona.

" a próxima fronteira não é o espaço e sim a mente"

oh bruta flor do querer. oh bruta flor, bruta flor !

-----

fase boa. muitos sonhos. abro o olho antes da hora definitiva de acordar e lembro absolutamente tudo que sonhei. tudo. fecho o olho, durmo o paraíso em 10 minutos. tenho 20 mil imagens - não chamo mais isso de sonho - que são mais uma mistura de devaneios com ressaca moral - sim sou virginiana - não lembro mais de NADA! sonhos esquecidos.

'você está me convidando, menina quer brincar de amar' (tocando agora)

------

sempre soube, desde a época que estudei nos EUA que os indianos eram bons em matemática. ontem vendo tv as 4:48 da manhã - insone a essa altura da vida - descobri que eles inventaram os algarismos decimais. primeiro do 1 ao 9. depois faltava um número para que eles pudessem avançar. descobriram: o zero. centenas de anos depois os ocidentais chegaram ao zero e proclamaram a sua autoria. depois de inventarem todo o sistema decimal os indianos avançaram na trigonometria, entendendo a relação matemática entre os ângulos do triangulo e o comprimento do seus lados. como a lua, o sol e a terra formam um triângulo eles conseguiram calcular a distância da lua pro sol, do sol pra terra. formularam as primeiras equações com duas incógnitas, x e y. os indianos não usavam os números apenas para contar coisas, panos e vacas. eles tinham uma visão abstrata dos números. o que possibilitou os indianos avançarem tanto na matemática foi o poder da ABSTRAÇÃO.
-----------

28.09.2010




agitada e fragmentada


------

eu só penso nisso
eu só quero isso

isso me lembrou um poema que escrevi quando tinha 18 anos. nessa época eu só queria uma coisa, hoje eu quero outra. meu querer evoluiu, penso eu. mas de qualquer forma

eu só penso nisso
eu só quero isso

--------

domingo, 24


ele disse que me visto que nem uma maluca, que faço misturas sem nexo. tudo bem. tem alguma coerência em uma pessoa incoerente e maluca se vestir de forma incoerente e maluca. ok. estou no caminho certo. no meu lugar. no way out.



---


eu pratico domingos sem sair de casa



2 comentários:

Dani Barbosa disse...

preciso praticar mais domingos sem sair de casa, se eles me trouxerem só a metade de todo esse resultado (tão gostoso de ler e assisstir)eu já sentirei que a prática valeu a pena!

ps: conversei com a minha mãe hj sobre isso de diários e blogs, fico feliz de ver que nossa conexão continua firme e forte!

te amo anja!

letrúcia disse...

isso. isso.