sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2 mil Elevem!

31.12.10


eu sei que é apenas mais um dia, como todos os outros. dizem os céticos. eu tentei ser cética. mas no fundo eu sou mística então chega de tentar dissimular e disfarçar. Nenhum dia é igual ao outro. eu curto Ano Novo. gosto dessa coisa de acabar e começar. live and let die, reza a tatuagem na cintura da Cléo Pires. sendo verdadeira ou photoshop da Playboy, eu acredito na cintura da Cléo Pires. Manda o calendário Gregoriano: nesse único dia, tudo fica pra trás e diante do próximo segundo, tempos nunca dantes navegados. que alívio. todo dia pode ser acabar. todo dia pode ser começar. mas um dia em todos acreditam que pode acabar e começar naquele minuto, naquele segundo paff!!!

nota-se: hoje a maioria dos humanos comemora Ano Novo.

os humanos são curiosos. se vingam até das criaturas invisíveis. se vingam do tempo.
os dias são as rugas do tempo.



1.1.11







Amo ano ímpar. nasci em ano ímpar. Copacabana estava linda. eu mais sobria do que nunca. confesso que tive medo. ele me convenceu. encarei com amor esse clichê carioca, aquele mar de gente de branco. de Oxalá, de Iemanjá no altar. fui da Van! e fiquei lá mesmo onde ela me deixou, feliz, na Francisco Sá. eu e ele.

a gente se ama e a gente se basta. ter alguém. ser de alguém. no fundo é isso, ou então é ao contrário, a gente é que se doa. mas isso não vem ao (a)caso.

*

Ah os FOGOS!! Como é linda a explosão. Dá uma emoção, aquelas luzes explodindo. e as cores pipocando. a alma explode junto. e a gente fica assim, olhando maravilhado

*

Saquarema 2008/2009. a praia de Vilatour era nossa. A gente descobriu a MELHOR COISA DO MUNDO. correr com os fogos! é assim: quando explodir você corre, corre, corre junto com a explosão. parece que a gente explode também correndo e espraiando o estilhaço brilhante. depois você vai cair cansado na areia e vai rir aquele riso de criança que fez aventura, aquele riso bobo que não sabe bem porque mas que se entende a felicidade.

***

quando eu tinha 12 anos a melhor coisa no mundo era pular do sofá, na hora exata do 3,2,1,0 e comer uma uva. e fazer um desejo . eu nao me lembro o que eu desejava naquela época. não consigo lembrar de nenhum desejo. acho que eu queria que o Marcos gostasse de mim.

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na viranda eles colocaram música clássica. ficou bonito. épico. teve uma hora que rolou samba com clássico

*****

fomos eu e ele. sem avisar ninguém. fomos. como no fundo somos. eu e ele. sou par
cuidar é bom

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Shopping Nova América

Tem um menino caído na passarela
caído na passarela que leva a um shopping
não sei caído de que
se caído de desmaio, de sono, de morte ou de cansaço
o menino é negro
mas eu não preciso dizer que o menino é negro
meninos caídos na passarela são todos negros
as pessoas passam pelo menino
e pulam o menino caído no meio do seu caminho
eu não
eu paro diante do menino
quero tocá-lo pra ver se lhe resta vida
pra ver se resta vida em mim
me aproximo e sinto a respiração mansa
e corro em direção ao segurança
falo que tem um menino caído
ele diz que não trabalha na passarela
que trabalha no shopping no fim dela
que ligou pros bombeiros
o menino caído espera transparente
quase sem vida
em meio a centenas de transeuntes
o menino caído e os transeuntes são o mesmo
falta vida também aos transeuntes
que pulam o menino caído e vão ao shopping fazer compras de Natal

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

eu vou te dar carona

senta do meu lado
eu ligo o rádio
depois eu ligo o carro e vou
te levar não sei
pra onde, a gente vai ouvir caetano cantando joker
man, a gente vai falar mal
de umas 136 pessoas e levar algumas multas
talvez, eu prometo adrenalina
no caminho eu paro de repente eu pego contra-mãos eu vou
te dar carona baby, sempre, a gente vai ser
feliz, depois de chegar na sua casa
eu sou boazinha, eu mudo meu caminho
pra te dar carona eu te deixo
aonde você quiser só pra parar em frente ao seu prédio e gargalhar
até a barriga doer
só pra lembrar da sua gargalhada com seu dentinho que eu lembro perfeitamente
agora e do formato da sua boca
quando você ri
eu pego carona na sua risada
..





sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O amor é uma doença como outra qualquer

O verdadeiro amor é suicida. O amor, para atingir a ignição máxima, a entrega total, deve estar condenado: a consciência da precariedade da relação possibilita mergulhar nela de corpo e alma, vivê-la enquanto morre e morrê-la enquanto vive, como numa desvairada montanha-russa, até que, de repente, acaba. E é necessário que acabe como começou, de golpe, cortado rente na carne, entre soluços, querendo e não querendo que acabe, pois o espírito humano não comporta tanta realidade.


Ferreira Gullar




o texto todo é sublime
http://sonhoepopular.blogspot.com/2009/08/sobre-o-amor-ferreira-gullar-houve-uma.html

domingo, 24 de outubro de 2010

devaneios de domingo

28.09.2010

Estou lendo Os diários de Susan Sontag. Letícia tinha razão. faz tempos que não leio um livro com tanto prazer. esse prazer de ler em qualquer brecha, no intervalo do ensaio, no ponto do ônibus, de levar na bolsa pra qualquer intervalo. como é bom ver a vida, fragmentada, e sincera de uma mulher interessante. e 'QUE MULHER'. ela me inspira. inclusive a retomar minhas anotações diárias. e colocar datas, pelo menos de vez em quando. os números também falam. me lembrei de quando era pré-adolescente, a internet ainda não era acessível e tinhamos costume de fazer diários e muitos vinham com cadeados (fofíssimos). hoje o blog não deixa de ser um diário, mas ele não é privado e isso muda tudo. tem coisas que tenho medo de confessar até para um diário. as piores coisas. as melhores coisas. ser completamente franca ao ponto de cravar isso num papel exige coragem. é preciso ter coragem.

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tenho um cíume egoista das coisas que mais gosto. como livros. tenho ciúmes das coisas que não são minhas.
ridícula.

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ele disse que já beijou todas -todas, todas - as partes do meu corpo

ele tem o mapa do meu corpo em sua boca


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4.10.2010

falar sobre o filme e o cinema
sobre as eleições
sobre desejos

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escrever: O elogio ao inimigo

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13.10

ouvir: Julie London

conseguir: ler Ulisses

meditar

ver: O filme do Joy Division

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o mais difícil de todas as decisões é ROMPER
ROMPER


R O M P E R

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16.10.2010

pintei as unhas de lilás, que cor linda, depois pintei de laranja. não pinto as unhas sempre. gosto delas curtas e nuas. mas quando faço fico hipnotizada olhando pras mãos o tempo todo. olho pra elas fazendo tudo, pegando algo na prateleira, abrindo a maçaneta. parecem mãos alheias. lindas e alheias





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domingo 17

Praia. eu e Pi. a primavera é a melhor época do ano: sol gostoso, flores explodindo e poucos turistas. encontramos J e N no caminho, pegamos carona. eles tinham uma prancha de surf no carro. obaa! no caminho eles acenderam um. isso me lembrou meus 17 anos quando tudo na vida era ir pra praia surfar e sempre no caminho acendiam um. vários litorais. leblon, reserva, joatinga, grupari, floripa, garopaba, guarda, rosa, olivença, san diego, trestles, arpoador. hoje arpoador. por do sol sentado na prancha. vida de golfinho. hoje ponho a ganga na areia (quem diria) como se tivesse nascido fazendo isso. a vida pode ser bela e a felicidade chega quando a gente se distrai.

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atração. funciona.

" a próxima fronteira não é o espaço e sim a mente"

oh bruta flor do querer. oh bruta flor, bruta flor !

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fase boa. muitos sonhos. abro o olho antes da hora definitiva de acordar e lembro absolutamente tudo que sonhei. tudo. fecho o olho, durmo o paraíso em 10 minutos. tenho 20 mil imagens - não chamo mais isso de sonho - que são mais uma mistura de devaneios com ressaca moral - sim sou virginiana - não lembro mais de NADA! sonhos esquecidos.

'você está me convidando, menina quer brincar de amar' (tocando agora)

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sempre soube, desde a época que estudei nos EUA que os indianos eram bons em matemática. ontem vendo tv as 4:48 da manhã - insone a essa altura da vida - descobri que eles inventaram os algarismos decimais. primeiro do 1 ao 9. depois faltava um número para que eles pudessem avançar. descobriram: o zero. centenas de anos depois os ocidentais chegaram ao zero e proclamaram a sua autoria. depois de inventarem todo o sistema decimal os indianos avançaram na trigonometria, entendendo a relação matemática entre os ângulos do triangulo e o comprimento do seus lados. como a lua, o sol e a terra formam um triângulo eles conseguiram calcular a distância da lua pro sol, do sol pra terra. formularam as primeiras equações com duas incógnitas, x e y. os indianos não usavam os números apenas para contar coisas, panos e vacas. eles tinham uma visão abstrata dos números. o que possibilitou os indianos avançarem tanto na matemática foi o poder da ABSTRAÇÃO.
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28.09.2010




agitada e fragmentada


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eu só penso nisso
eu só quero isso

isso me lembrou um poema que escrevi quando tinha 18 anos. nessa época eu só queria uma coisa, hoje eu quero outra. meu querer evoluiu, penso eu. mas de qualquer forma

eu só penso nisso
eu só quero isso

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domingo, 24


ele disse que me visto que nem uma maluca, que faço misturas sem nexo. tudo bem. tem alguma coerência em uma pessoa incoerente e maluca se vestir de forma incoerente e maluca. ok. estou no caminho certo. no meu lugar. no way out.



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eu pratico domingos sem sair de casa



Banal

Coisas que pensei na Caixa Econômica Federal da Gávea enquanto espero cerca de 3 horas pro gerente me atender

1) aparece um homem com o pé amputado. ele usa uma botinha ortopédica. não tem todo o pé amputado, só a metade, não tem os dedos mas tem calcanhar. usa meias sob a botinha. tem uns 40 anos e é mulato. não parece triste, está concentrado em andar usando a muleta. Será que foi recente? diabetes? acidente? má circulação? os pés acusam coisas que se passam aparentemente longe deles. No outro pé, usa um tênis novo, novíssimo, de marca. isso me chama atenção, sinto um misto de pena e orgulho, tem uma coisa de bem cuidada nesse homem com um pé amputado e o outro pé com um calçado super legal. fiquei compadecida com essa cena. e pensei: o que será que ele faz com o outro par do tenis?

2) tem uma mulher querendo embarracar por causa do atraso no atendimento. é mais do que absurdo, é obseno. você vai na Caixa ou no Banco do Brasil e não marca mais nada até as 4 da tarde, ok? reserva o dia pra isso, para ir na Caixa. Eu sempre quero embarracar nesssas ocasiões. mas hoje não quero. e por um único motivo, eu não estou atrasada. o atraso faz loucuras com o ser humano.

3) fui atendida. a gerente é fofa. faz o tipo bem bofinho, se veste de forma sóbria, calça preta meio larga, blusa preta de manga comprida, com algo de cor escura por dentro. nenhum pedaço de pele a mostra no corpo. cabelo curtíssimo. nenhuma maquiagem. mas ela tem a voz tão doce, e um jeito tão meigo que cria uma contradição naquele visual. a meiguice é o auge da feminilidade. ela tem o auge da feminino no auge na falta dele. ela sentada de frente pro computador eu do outro lado a observo enquanto ela trabalha. percebo como é descobrir alguém. não presto tanta atenção ao que ela fala, mas sim no contorno do seus traços, nos olhos grandes e a sobrancelha fina e natural com pelos fora do contorno (raro hoje em dia). vou mapeando seu rosto. ela tem lábios carnudos, sensuais e um sorriso infantil, com dentes pequenos e gengivinha aparecendo. mais uma contradição. ela me lembra alguém. parece da mesma família. eu saio fazendo laços familiares na rua, porque acho os traços de uma pessoa muito parecidos com os de outras. tive vontade de perguntar. a gente descobre alguém assim. mapeando os poros. a gente conhece alguém assim, pedaço por pedaço.



segunda-feira, 18 de outubro de 2010

oo:oo

amo olhar no relógio e ver esse número. penso: início


eu acredito em domingos sem sair de casa

domingo, 17 de outubro de 2010

Manual para pousar cangas


  1. Nao peça ajuda pra ninguem
  2. não se importe em estar de frente para o sol
  3. é melhor ficar de frente para o mar
  4. faça travesseiro de areia se preferir (não tenho feito)
  5. perceba a direção do vento
  6. dê as costas para ele
  7. segure a canga com as duas mãos
  8. observe seu vôo por alguns segundos. ela voa em suas mãos
  9. vá abaixando aos poucos
  10. toque o solo devagar
  11. até que ela encoste toda a sua extensão na areia
  12. forme pequenos morrinhos, se aconchegue no solo quentinho
  13. aprecie com moderação




terça-feira, 5 de outubro de 2010









O Jabor falou uma coisa que pra mim faz sentido: as pessoas estão hoje à procura do quê dizer. Não há mais uma filosofia, um movimento, uma visão politica mobilizadora. Não existe mais uma causa. daí vem o cara falar da fome do nordeste, mas ele não conhece a fome do nordeste. por isso eu falo do que eu mais conheço, de mim.








domingo, 3 de outubro de 2010

Eleições Inocentes

Acordei sem preguiça pra votar. comi pão com ovo (com requeijão) e café sem açúcar, que depois de muitas tentativas desce com prazer. tenho apreciado os sabores amargos sem fazer cara feia.
resolvi ir a pé. com tempo, distâncias toleráveis, sempre prefiro ir a pé. do Vidigal ao Leblon é agradável. dia eleitoral tem uma atmosfera quase festiva. é um pouco estranho.

triste caminho. a rua principal do Vidigal é praticamente um aterro sanitário de tanto papel, cartaz , gente com camisa de partido distribuindo santinho pros desinformados, pros ignorantes, pros inocentes. Boca de Urna. Uma boca a mais, uma boca a menos realmente não faz diferença, não é mesmo?
Encontrei um conhecido na descida, ele parece feliz. ele é inocente e por isso é bonito. Pergunto:

- em quem você vai votar?
- Crivella.
eu recuo (foi impulso, juro) e pergunto:
- voce é evangélico?
- sim (sorrindo).

prossigo a minha caminhada. nessas horas eu lembro que não vou mudar mundo numa resposta. tenho complexo de heroína e por isso essa constatação é sempre dolorida. continuo.
continuo.
'Júlio Lopes 1111', colado por TODA a Avenida Niemeyer. os candidatos tem números fáceis! vou ter que fazer força pra esquecer esse número. é estratégico no Brasil, país de burros, analfabetos e preguiçosos se multiplicando. chega na urna e não sabe em quem votar, lembra, 1111! pronto solução fácil!

desespera-dor.

Não posso cobrar muito de quem não recebeu quase nada. mas tem gente - com a sacola cheia de presentes - que diz "eu vou votar nulo" em ar de protestinho pequeno burguês, e não sabe citar 3 deputados. Eu só respeito quem vota nulo com conhecimento-extra-de-causa, senão eu digo PREGUIÇOSO.
chego no Leblon. nossa, é o paraíso, não fosse o cheiro de esgoto. meus amigos surfam. o mar está bom. está podre mas nenhum de nós pega micose pois temos anticorpos pro côcô dos moradores de Leblon, do Vidigal e até dos gringos do Sherathon que despeja esgoto in natura na Prainha. Mas eu acho mesmo que o côcô do Jardim Pernambuco não causa micose. Por isso praia e surf no posto 12 são pra poucos. Boca de urna no Vidigal é pra muitos. No Leblon não tem boca de urna. as ruas estão limpas. as lojas estão abertas. é feriado!

Votei. Não tenho ídolos na política. A melhor opção reside em 'o menos pior'. Mas mesmo assim tenho esperança. eu sou inocente e por isso sou bonita. as pessoas descrentes - sempre e com tudo, tudo é uma merda, blablabla - são até engraçadas se tiverem a sorte de ter humor sádico - o que é pra poucos - e têm um ar inteligente - mas eu costumo achar elas feias.

Caminhei com meus pais. foi muito bom. comemos, conversamos e olhamos coisas fúteis no shopping. em nenhum momento lembrei de quando era criança. sempre andei com padrastos e madrastas, essa cena não me soa familiar. foi interessante. voltei pra casa. tenho um humor sádico e pareço inteligente, mas ainda sim não sou descrente. a minha geração me decepciona, não como um todo, mas em grande parte. a minha classe social me decepciona muito mais. O poder está na mão de mauricinhos irresponsáveis e ex-pobres deslumbrados. eles fizeram aliança. não apenas o poder político. Quase todos os poderes. quase

eu acredito na revolução.

Não a revolução das massas, nem das classes, nem da política, muito menos das armas. Mas existe uma revolução, ela faz um sonzinho que chega na minha casa. Sou jovem e posso acreditar nisso tudo sem a menor culpa. A pior coisa é um jovem-velho descrente e feio, passeando por ai com ar de inteligente. eu me igualo aos inocentes, aos pobres inocentes, primeiro para me tornar bela.

eu acredito na beleza, por isso acredito na revolução.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

assim

calma e fragmentada



sábado, 25 de setembro de 2010

diários

antes era diário. era papel e era caneta. era privado.
agora é tela e teclado. é diário compartilhado.
nasci no meio.
peguei o diário com cadeadinho (coisa mais fofa) e agora, época que até as mamães e as crianças tem blog.
cresci no meio.
no meio das épocas divisoras de águas.
hoje eu to antiga. queria ser dessas escritoras que deixam cadernos e escritos inacabados.
não sou escritora. mas deixo cadernos, papeizinhos, guardanapos e escritos inacabados. é apenas uma fantasia.
ok. parei.
vou escrever

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

run lola run

>

quero correr pra escrever. minha cabeça anda cheia de coisas, de frases soltas que se juntam, desjuntam e se perdem, e esse é meu desespero. eu preciso escrever. outro dia, só outro dia, percebi sozinha (ohh!) (ja tinha aprendido isso, mas tinha esquecido) que a gente pensa com palavras. isso fez essas com que elas ganhassem um estatus ainda maior no ranking das coisas que eu amo. a gente vê um rapaz bonito na rua e pensa "nossa, que gato" mas a gente não pensa isso numa língua invisível. a gente pensa em p.a.l.a.v.r.a.s, em português (respectivamente). será mesmo? Mas agora me ocorreu uma coisa, como uma pessoa que nunca aprendeu língua nenhuma pensa? como ela chega a conclusão de que o rapaz é bonito. Não não pode ser, a gente não pensa em palavras então. eu sei que essa questão seria mas fácil de resolver no google, mas eu estou com preguiça de pesquizar e fingir que sou uma pessoa inteligente sempre. eu ignoro questões banais. eu cometo erros de portugues horriveis (como voces podem ver). porque também nao quero me consultar no "world" all the time. e acho até legal, porque eu gosto muito mais de z do que de s quando o som é de z. e acho até interessante tambem fazer essa filosofia louca pra pensar e repensar uma coisa que a ciência com certeza já sabe há muito tempo e era só abrir outra aba pra descobrir. não quero descobrir. quero correr pra escrever.



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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Bairro Alto

quero guardar pra sempre esse momento de felicidade
numa caixinha, quero embrulha-lo pra presente
e me presentear de novo e novo e presentear a todos
cravar
no peito ou na pedra
algo melhor do que a mémoria
que guarda tão mal
e tão bem porque produz saudade
mas esquece tambem, deixa fraca, deixa longe
e a gente perde o que é plenitude
eu estou PLENA
e minha vida nao é perfeita
mas estou radiante e quero cravar isso em algum material tão efemero
quando esse sentimento
como um papel, ou mais ainda, uma tela virtual
algo que se iguale
a fragilidade dessa sensação
e ao medo que ela acabe
quero guardar
pra sempre
esse momento de absoluta felicidade

terça-feira, 31 de agosto de 2010

eu quase toquei meu sonho


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a casa está arrumada
mas eu estou uma zona
e depois de um dia de lágrimas
vem a noite
e depois de muitas noites em preto
sem sonhos nem pesadelos
são as piores noites, as noites mortas
esquecidas, sem memória,
derretidas num ibernar profundo
abre-se a pista de pouso
Uma surpresa interessante: um sonho de amor surreal
impossível, verdadeiro
e a certeza de que a vida
como um tabuleiro
de damas e cavaleiros
tambem vem em branco e negro
----------------
e todas as outras cores
primárias e seus degradês
a gente vai se misturando
ver é pura locura do corpo *
repulsa e dá tesão e não explica nunca por que
e eu também não quero nunca
nunca nunca
não quero nunca entender
quero sentir
o cru do real ao devaneio
sentir
a cada segundo um coice
e um carinho
eu vou gostando e odiando
eu mesma me coiceio
e me contradigo o tempo todo
por que a vida me ensina que é assim
mutante, brocha, desabrocha
eu sempre prefiro o começo
do que o
fim
.
* frase da clarice na colagem de um dia desses

domingo, 22 de agosto de 2010

Oração do dia 23


Nil - Eu vou obrigar a vida a me responder como eu quero. não adianta tentar me fazer ter medo. Eu estou mais perto da vida do que você! Eu sei, muito mais que você que a vida é dura, que às vezes é repugnante, má. E que uma força desenfreada oprime o homem. Eu sei, e isso me deixa indignado. Mas essa ordem eu não aceito! Eu sei que a vida é uma coisa séria, mas ainda não esta bem organizada. Para ajudar a organizá-la eu vou ter que dar toda a minha força, toda a minha juventude. Também sei que não sou nenhum herói, mas simplesmente um homem! E digo mesmo: não me importa, nós é que vamos vencer! E com todas as minhas forças, eu vou me colocar na própria espessura da vida. Tratar de moldá-la, atrapalhando uns e ajudando outros...Isso é a alegria de viver!

Os pequenos burgueses. Maximo Gorki

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

sobre como descompletar




Coisa que eu gosto é poder ficar em casa sem tempo
remexendo as coisas, inacabando elas,
olhar fotos, cartas, gavetas, jogar fora
aqueles coisas inúteis e guardar com carinho outras mais
inúteis ainda que não quero me livrar, quero apegar
rasgar, queimar o que quero deletar da mémoria,
o que não quero deixar provas
tomar chá e comer chocolate no intervalo,
fuxicar músicas, arrumar bagunçando mais ainda, descompletar tudo,
ler cadernos antigos, trechos de livros e achar frases como essa

"a importância de uma coisa não se mede com fita métrica, nem com balanças (...) a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produz em nós"


do mestre Manoel de Barros

quarta-feira, 7 de julho de 2010

teatro

Nasceu da imitação de um Deus humano
para transcender uma sala, um palco, um apartamento, uma praça num lugar
sagrado e profano
que transforma
humanos em Deuses
a mutação da mutação
conecta pensamentos

sonha junto
trabalha junto
constrói e destrói egos

a união e a solidão absoluta
num momento de ausência de utopias e movimentos coletivos

sonhar e imaginar junto é uma revolução
humana arte do vivo da vida
projeta, percebe, recebe, improvisa, vivencia
doa

a dor
ilumina o som, o corpo, a voz, a emoção, a verdade, a mentira, a merda e a música é

saber que

quando você vê a luz
ela tambem vê você

quarta-feira, 30 de junho de 2010

estética do possuir


Os objetos tem vida própria
vão se arrumando 
se desarrumando de um jeito só seu

se assemelham às pessoas
podem estar podres, dilacerados por dentro 
e por fora permanecerem intactos
empoeiram
mesmo com as janelas fechadas

dentre todos, talvez os meus preferidos sejam os livros
saber que tenho Ulisses me esperando
na estante bastam algumas páginas
pra não ler jamais
ter um homem adormecido
me esperando
entre lenços e maças
já é por si uma história
épica sem
fim

domingo, 20 de junho de 2010

F.

.
vejo esse homem caminhar na minha frente
ele tem 55 anos e sua vida é nova, completamente nova
sobe a escada, sai do degrau que sempre esteve e sobe
para a sua vida, para sua casa
que a agora é sua, tem seu cheiro, seus objetos antigos misturados
com novos, seus cds, vinhos, quadros da Margaret Mee, roupas jogadas,

livros por toda parte, jornais no banheiro
Sua vida depois de tanto tempo é sua
e sua casa depois de tanto tempo
pode ser nossa

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Não me peça coerência




tenho tido sonhos intranquilos
sou sensível as pequenas coisas
sei reconhecer um olhar sincero
mas percebo que estou cada vez mais longe da intuição
da natureza
dos outros homens e mulheres
de mim mesma
sou de fato um serzinho da cidade

tem coisas que acho que já resolvi, mas meus sonhos e devaneios a meio-sono juram que não. meu inconsciente gosta desse estado de quase dormindo, quase acordado e vem me sussurrar segredos que eu jurava já ter esquecido. tenho tido sonhos intranquilos. eu simplesmente não dou conta. de tudo, da vida. minha família, meus amigos, meus irmãos, meu pai, minha mãe. eu assumo, eu simplesmente não dou conta. meus braços não abraçam meu mundo inteiro.

"quando a gente não fala sobre uma coisa é como se ela não existisse. a palavra cria e mata paralelamente", alguém disse. já eu ando pensando ao contrário. quando a gente não fala sobre uma coisa é como se ela existisse em dobro. essas histórias vão se multiplicando nas cabeças, e a imaginação pode ser salvação mas também armadilha. 
materializar fantasias
é isso que um cérebro e um coração devem fazem juntos
mas eles também criam um monte de fastamas
que agora circundam a minha casa

tinha alguma outra coisa que queria escrever e agora não lembro
sem pretensão penso coisas que traduzidas em letras tomam status de verdade
fico com medo
tenho medo das palavras, por isso me livro delas


segunda-feira, 24 de maio de 2010

pequena homenagem ao grande Tichý

.

Tenho tido calafrios

and it´s been hard

my niples
..

foto de miroslav tichý - fotografo que estou encantada atualmente

quarta-feira, 21 de abril de 2010

olho razo
transborda
fácil

quinta-feira, 15 de abril de 2010

the hall of mirrors

.
Insônia. taquicardia. sinto como se alguma coisa estivesse explodindo dentro de mim. por fora, tudo parado, 2 da manhã, calminho até demais. Tem alguma coisa que está para chegar. eu espero. mas não espero parada, embora quem me veja pense que eu esteja. tenho certeza. eu sei que meu coração está, ao contrário do meu corpo, taquicardíaco, espontaneamente, apressado demais, ansioso. tenho vontade de rolar no chão, de nadar pelada na lama, qualquer coisa extravagante e louca que dê vazão as minhas fantasias e, se possível, extrapole a minha imaginação. o inimaginavél me suga como um imã, e eu nem ao menos sei para onde estou indo com tanta vontade. acabei de escrever um texto sobre o mesmo tema faz 2 minutos e já não é mais o mesmo. a vida passa porque a cada segundo realmente tudo já mudou completamente. e mesmo assim eu repito meus erros. estou ficando velha. tem uma ruguinha que começou aos 21, aparecendo exporadicamente e agora ela não quer me largar. será que tudo isso também começou aos 21? será que essa ruguinha já não estava lá há muito tempo esperando meu cansaço aparecer? suponho que sim. mas de qualquer forma decidi que vou comemorar o aparecimento de cada uma, e agradecer. porque a final eu pretendo vivenciar a transformação do meu corpo e do mundo enquanto valer a pena. enquanto eu aguentar.

(esse final ainda nao ficou bom...)


na radiola: the hall of mirrors, Kraftwerk