sexta-feira, 26 de agosto de 2016

na madrugada posso me perguntar o que sinto
escutar minha pergunta ecoar até sumir
até penetrar no ar
até fazer redemoinho em mim
ia falar outra coisa
é bom poder ter
minha estranhezinha de viver
compartilhada
ia falar outra coisa
na música calma da madrugada
um latido rouba a cena
e depois para
ia falar outra coisa
na verdade
no meu pas de deux com a noitada
tirei um poema como se tira uma carta
tirei um poema como se lesse os astros
tirei um poema como se tira alguém pra dançar
um poema me tirou
como me tira o tarô
um poema do lemiski
franco atirador
:
"Rimo, rimo, miras, rimos,
como se todos rimássemos,
como se todos nós ríssemos
se amar fosse fácil.
perguntaram por que rimo tanto,
responder que rima é coisa rara.
O raro, rarefeitamente, para,
como para, sem raiva, qualquer canto.
Rimar é parar, parar pra ver e escutar
remexer lá no fundo do búzio
aquele murmúrio inconcluso,
pompeia, ideia, Vesúvio
o mar que só fala do mar"
não é curioso?
que poema
pode também ser
horóscopo?

domingo, 5 de junho de 2016


sábado, 8 de fevereiro de 2014

bigode Japa


Dentre todas as marcas, as minhas preferidas são as de expressão. Uma testa enrugada e uns pés de galinha contam mais histórias que muita conversa. Aquela ruguinha perto dos lábios é porque sorrio muito, ela apareceu quando eu tinha 21 anos, lembro exatamente do meu susto em frente ao espelho. Foi a primeira. Pra alguem com minha genética foi bem precoce, mas é que desde menina venho mostrando os dentes com freqüência. Sorrio a maioria das vezes sem perceber, as vezes até a goela, como resposta silenciosa, ou acompanhada de palavras doces ou duras (porque ajuda a amenizar). Pra dizer sim, pra dizer não e até como arma. São alguns anos de sorrisos, muitas vezes desperdiçados, ou mesmo inoportunos. Mesmo assim, eles foram a melhor resposta que eu pude dar.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Leitura diária

tudo fala sobre nós. cada gesto. cada palavra. uma foto. uma vírgula. uma levantada no meio do assunto. parados. sentados no banco da lanchonete. a braguilha ficou aberta. a presença repentina. um presente fora da data. 2 talheres largados ao lado do prato. açai com muito pouco xarope. de preferência mel. desculpe-me, não consegui ir sua festa de aniversário. aquilo que você falou tão bem e tanta gente achou legal me contou tudo sobre a sua carência. essa quantidade de maquiagem também. eu ainda prefiro gente que esperneia. sempre. a curtidinha discreta pode ser apenas uma evidência da dificuldade de proferir um elogio. deve ser profundo pra você admitir. mesmo sabendo desse segredo que nunca confessou eu consigo manter você por perto. não tem problema, pelo menos por enquanto. mas sim, as vezes incomoda [um olhar mudo] tudo que briguei era só pra dizer eu te amo. 
o ponto do ponto final é o mesmo pontinho da interrogação?
Não é porque é prosa, que não pode virar poesia.
É tão evidente que tudo fala o contrário.
Muito mais a ausência.
Mais ainda o silêncio.
Tudo, absolutamente tudo que deixamos de dizer, grita sobre nós.

Estou aprendendo a ler tão bem o silêncio.
e confesso,
é assustador.


                                     


(não se iluda com tudo isso que você não falou e achou que passou batido. eu sei exatamente quem você é)

quinta-feira, 26 de setembro de 2013



Beijo: 
das palavras e gestos mais lindos
da nossa língua

quinta-feira, 27 de junho de 2013

,

.
.
.
.
 a gente se parece com o que a  gente ama 


sábado, 8 de junho de 2013

Socorro




terça-feira, 4 de junho de 2013

África tem gosto de Útero

Obrigada Sunga Mututa,


Tem alguma coisa na África. Eu não sei dizer o que é. Mesmo depois de 10 dias em Angola eu ainda não sei definir. Uma coisa que abraça de um jeito quente e aconchegante. Algo parecido com o que a gente sente quando escuta Miriam Makeba, Cesaria Evora, Fela Kuti ou qualquer coisa que eles escutam lá, Kuduro, Kizomba; é o coração batendo num mergulho de carinho e rebolado que pariu a gente.

Chegamos em Luanda e o amigo da cia de teatro da Bahia já foi preso porque tava nos filmando no aeroporto. Meia horinha e soltaram ele, depois de faze-lo apagar. O povo não gosta de ser fotografado. Eles acham que fotografar é "prender a alma" e eu não pude deixar de concordar e achar bonito pensar assim. É mesmo, só que a alma escapole e muda e muda. A primeira coisa que me chamou atenção quando saímos do aeroporto foram os carros de luxo: caminhonetaças, gipizões. Muito trânsito em toda a cidade e nenhum sinal, eles se entendem na linguagem na preferência e do "agora é minha vez". Tem obsessão com engraxar sapato. Tem aquelas máquinas de engraxar, tem gente engraxando, deve ser por causa da poeira. Da poeira das obras e das ruas de terra das favelas. Muitas favelas, e é favela mesmo, as casas são quadradinhos de telha de alumínio e eu pensava num ser humano alí dentro no que deve ser o calor do verão de lá. Eles saem dos "quadradinhos" como se não estivessem ali, vestidos pra mais um dia, andando desviando no lixo, rumo as suas vidas. São homens e mulheres da cidade. Cidade atolada em muito lixo, mas nenhum cachorro dando sopa: há chineses. Quando brotava um chinês de um barraco angolano, chegava a dar um chilt na minha cabeça, eles estão em toda parte mesmo! Desigualdade gritante, esperneante, obras por todos os cantos na parte dos ricos e nenhuma na dos pobres. É igual em todo lugar. A gente não dá conta de tudo. Queria dar conta de mim, daqui, da Angola. É a vida. Não é bonita e é bonita. Luanda. A lua estava cheia nesses dias, deve ser por isso. O por do sol é um bola laranja, igualzinho a do Rei Leão.

Um ditador sucede outro, Angola conquistou a independência de Portugal em 1975 e seguiu com uma guerra civil até 2001. É muito recente. Fiquei orgulhosa quando soube que o Brasil foi o primeiro país a reconhecer sua independência. Durante e após a guerra civil haviam ideais comunistas, me contaram, mas recentemente a duplinha capitalismo-consumismo chegou como um menino tarado e faminto engolindo qualquer sintoma de desejos de igualdade. Eles querem comprar, como todos nós. Somos iguais finalmente. Todos negros. Eles chamam os negros de Bumba, falam um português cantado e gostoso, com muitas gírias em dialetos locais, que dizem estão se perdendo. Entendem como ninguém nosso português brasileiro. Assistem nossas novelas. Essa praga tá em todo lugar, colonizando o mundo com o jeitinho brasileiro. Amam nossa música, cantam de A a Z como se fosse deles, de Céu a Zeca Pagodinho, Clara Nunes e Martinho. É bom que podemos falar "cara", "deu mole", "valeu". Eles falam "cena", qualquer coisa é uma "cena"ou um "mambo". As mulheres carregam tudo, um mundo, na cabeça, e os filhos amarrados nas costas. Muitos bebes que aprendem desde cedo que seu cabelo não é bonito e colocam cabelo comprado, como as americanas. Chamam esse cabelo de "cabelo brasileiro"e é uma obsessão tão grande que qualquer menina pobre se esforça pra juntar $400 dólares de dignidade por um cabelo falso. Vende até no mercado. Os preços são altos, respiremos, o Rio não é a cidade mais cara do mundo, essa cidade é Luanda, cruzes! As vendedoras chamam a gente na rua mandando beijinho, aquele beijinho com barulho, o mesmo que eu me despeço das pessoas que gosto "muack".

Entendi mais sobre o que é ser brasileiro em Luanda do que em Lisboa. Acho que também do que é ser humano. É porque a gente tá tão afastado de tudo, de nós mesmos, que pele tem cheiro de perfume, sovaco de desodorante e sexo tem tato de latéx, então qualquer coisa que seja verdadeira, visceral, intuitiva, que corra sangue e suor e que lembre que a gente é bicho, a princípio assusta, mas depois conecta com nossas entranhas escondidas, largadas num canto do ser,  cheias de poeira, mas ainda sim, nossas, verdadeiramente humanas. Angola é isso, é entranha e tem gosto de útero. 

Gentis, afetuosos, os angolanos se aproximam e ganham nosso coração sem nem pedir, abraçam, beijam, tocam, olham no olho, viram amigos sem nenhuma barreira, falam bom dia, boa noite, tá com fome? De um jeito que cativa tanto que parece que sempre estivemos ali, que somos dali. São fiéis, nos acompanham e cuidam de nós. Dá uma vontadinha de chorar quando eu lembro de umas criaturas. E que música! Cantam e tocam lindas melodias, e mesmo em "africano" a gente entende e canta junto. São ingênuos. Pegamos um taxista chamado Keissy que nos levou ao shopping e combinou de nos pegar mais tarde, e pasmem, deixou pra receber tudo na volta. Eu disse, "mas podemos sumir", ele não ligou, combinou as 22hs e lá estava com sua calça social skinny, dobradinha no tornozelo, up to date na moda européia e seu sapato reluzente. Ficou de nos levar num baile de Kuduro, lá no bairro onde o ritmo surgiu, não rolou, peninha. São elegantes e absurdamente coloridos. É cor e estampa por toda parte, e eu que amo muito tudo isso, ficava vidrada com aquela abstinência de caqui e cor da pele. Tudo vibra e reluz. Queríamos ir num ritual de Candomblé, ver onde nascem os Orixás  mas eles foram mais colonizados que nós e os rituais são mais raros, mais escondidos, tem menos macumbeiro do que católico e crente. Uma artista plástica da Ilha, chegou a ligar e combinar, mas não voltamos lá. A única coisa que ela falou é que nesses rituais eles se vestem todos de vermelho, ao invés de branco. Fiquei curiosa.

No último dia, depois da peça entrou um DJ e eu estava sem querer com meu computador. Tomei a pista de assalto e toquei 4 horas seguidas ou mais, sei lá, foi muito tempo. Arrumei um conselheiro de set fiel, alguns fãs e um apaixonado declarado, que jurava que se eu não tivesse casada ele seria meu namorado em Luanda. Disseram não estar acostumados em ver mulher tocar. Risos. Foi só clássico. Amanheceu. Toquei Beto Barbosa e eles pediram Kaoma. Chorando se foi, pérola da madrugada, a hora do vôo chegou. Eu quero voltar!!!! África não longe não, é logo ali, acho que a gente devia ir menos pra Europa e mais pra África. Fizemos grandes amigos, nos apaixonamos por vários, choramos ao nos despedir. E seguimos outros, foi transformador. Sunga, Raul, Jay, Jarrul, N'golaaaaaaaa!






sábado, 20 de abril de 2013

Toda

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TODA VEZ QUE EU FICO MUITO FELIZ
ME DÁ MEDO DE MORRER

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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Agora eu sei porque falo tanto sozinha: 
Eu sou a minha amiga imaginária

terça-feira, 23 de outubro de 2012

AOS ÍNDIOS QUE NUNCA VIMOS NEM NUNCA VEREMOS

POESIA EM PRANTOS

Vai ter um dia que do índio não vai sobrar nada
só vai sobrar o museu do índio num bairro distante
completamente vazio de gente
suas penas e suas lanças nas prateleiras
suas lendas também se perderão nos leitos
e nas escolas onde não foram ensinadas
do seu idioma só se falará Ipanema e Copacabana
Cauã e Caique
sem nem saber se é Guanari ou Kaiapó
vão virar pó
dizem que são fracos porque são pacíficos
mas não precisam de parede
pra construir casa
e morrem por tão pouco
começaram morrendo de gripe e de febre
hoje morrem de descaso e de silêncio
morrem porque se matam
os protetores da mata
morrem porque não aguentam
e seu destino mais digno ao invés do genocídio
é o suicídio coletivo
o leito do rio e a Amazonia inteira são iguais ao índio
porque eles também serão dizimados
menos ainda falará deles
sobraremos nós que carregamos seu sangue cada vez mais raro em nossas veias
talvez uma onça pintada, e toda a sua geração
talvez um cardume de piranhas
uma teia
um pé de aipim
talvez o coração da bananeira
ou a árvore de urucum
guardem por nós
o espírito dos índios


                                                                                                                                                                        Foto: Sebastião Salgado


terça-feira, 31 de julho de 2012

a gaivota

O que tanto me interessa nela?
porque meu olho brilha por ela?
porque ela? porque ela?

Porque pra mim
ela está sempre falando de amor
sempre apaixonada
nela tudo se movimenta, todos se transformam
todos os passos são dados
todos os destinos traçados
por causa do amor.

Um recorte de amor
um pedaço do amor
o amor inteiro.


terça-feira, 10 de julho de 2012

Um Texto pra Beira da Morte

texto pro ORNITORRINCO. 
Uma carta para o Futuro.


hoje. quinta-feira, 17 de maio de 2012. tenho 30 anos. e confesso uma certa inadequação com esse número. demorei pra amadurecer, sempre tive medo da vida adulta, sempre fui criança. e agora? escrevo uma carta para o futuro. para que você abra a beira da morte. muito tempo se passou até ela chegar em suas mãos. não somos mais a mesma. tudo vai acontecer nesse tempo que nos separa. mesmo amanhã não serei mais a mesma. amanhã é o futuro, daqui a 1 segundo tudo também vai acontecer. por conta dessa diferença entre nós vou me chamar de eu e vou te chamar de você. é inevitável pensar que cada dedo que mexo me leva até você e fico pensando que o inesperado vai costurar todos os tijolinhos que venho empilhando e as paredes que venho destruindo. eu tenho arriscado muito. mas estou consciente disso, assumi esse risco porque ele é a unica alternativa. não posso negar nem fugir de mim mesma. para o desespero de minha mãe. ela sonhou que eu tivesse uma carreira considerada estável, mas eu não tive opção senão assumir isso que sou. oh baby me leva, me leva que eu te quero me leva. viver é também amar o futuro, é desejar por ele. eu desejo você. eu construo você. mas não tenho o mínimo controle. posso virar uma mendiga que vende livros, uma atriz dos filmes de Almodóvar, uma perua diante do mar de copacabana, uma mãe que perdeu os filhos. eu não duvido de nada. não duvido mesmo. mas ficaria muito feliz em ter uma familia grande, uma casa com quintal, bichos, plantas, e barulhinho de crianças brincando. que o homem que eu ame me ame. em viver numa cidade mais bacana e menos desigual. e fazer filmes do Almodóvar. e fazer filmes, peças, músicas e livros. eu sempre me permiti sonhar. e sempre me permiti acreditar. me permiti ser boba e nunca tive vergonha de dormir e chorar na frente dos outros. mesmo desconhecidos. principalmente íntimos. mas diante do futuro é tudo é tão frágil. nada permanece sólido. tudo pode acontecer. tudo vai acontecer. me desejo sorte! ontem um amigo me lembrou de um trecho lindo do Edgar Morin que fala que a gente já experimentou tudo desde muito cedo. as maiores alegrias e tristezas. ainda bebês experimentamos um ciclo completo de emoções e transcendência que depois apenas se repete. e se acumula, digo eu. a gente é um acúmulo. a gente não se esquece de nada. escolhi escrever essa carta para você a beira da morte, ou a beira da perda da lucidez, suficiente para entender essa carta. para rir dela. pra rir de tamanha inocência e esperança. se tem uma coisa que não vai mudar entre nós é essa esperança, essa crença na própria crença e essa coragem. acho que isso levarei pra sempre. levarei até você. será que isso se ensina? espero que você tenha ensinado alguém a ter essa CORAGEM. rompi com muita coisa em nome desse risco que se chama amor. intuo que vou viver muito. uma pergunta que não sai da cabeça: como é vivenciar a perda? a perda brutal de tudo. eu (nós) que muito nova vivi a morte tão próxima, eu que nunca me curei, mas aprendi que a gente consegue andar mesmo machucada, pergunto a você, sobreviveremos? se você ainda amar o mesmo homem, vou achar tão bonito. será que esse amor também sobreviverá? será que ele vai gerar filhos como agora eu tanto desejo? senão tudo bem. eu acredito em você. eu acredito. estou apostando minha vida nisso. no agora. e agora mais que nunca, você está diante da maior perda. a perda de si mesmo. como é bonito! é que é tão lindo viver, e nesse segundo seu, nesse último grito, deve ser mais lindo ainda. eu nessa minha juventude desvairada (que também sei, não vamos nunca perder) te dou um conselho. coragem.


http://nomedacousa.blogspot.com.br/

sábado, 30 de junho de 2012

menina mãe



Carolina
morena d'água
da pele que clareia
a prata
morena de sal
de doce de cachoeira 
no sono da Álvara areia
se multiplicou a sereia
tão linda cantou lá na pedra
que som reverberou na relva
e numa concha como uma pérola
se formou tão preciosa
tão pequena tão cheia de formas
uma menina
Isabela





quinta-feira, 31 de maio de 2012

bem vindo

Hoje eu fiquei extremamente feliz porque:

  • passei o dia todo fotografando meninas lindas de 9 anos que gostam de passar batom e andam pra todos os cantos com aquela calcinha grande de algodão e aqueles peitinhos lisos, que eu tenho tanta saudade
  • firmei parcerias que me deixaram animada
  • usei com uma saia nova que to amando
  • comprei um batom que estou apaixonada pela cor 
  • andei pelo calçadão a noite conversando com uma grande amiga
  • peguei uma van, e ao entrar me deparei com um homem negro de uns 57 anos, ao lado dele tinha uma gordinha com sua filha, que me olhou com enorme curiosidade e eu pra ela e o homem negro me disse sorrindo antes que eu sentasse:
homem - boa noite, seja bem vinda.

sentei e retribui com um sorriso:

eu - obrigada!

meio que maravilhada com a receptividade inesperada.

seguimos em silêncio. ao começar a Niemeyer o cobrador me cobrou, eu abri a bolsa pra pegar a carteira e lembrei do batom com medo de tê-lo perdido, bateu aquele desesperinho típico de pessoas distraídas que perdem objetos com facilidade. ufa, achei. então catei a carteira e tirei 2 reis. abri o bolsinho da carteira e peguei 0,50 centavos

o homem falou brincando:

homem - ela está procurando no meio dos seus dólares
eu - pois é, no meio dessa dinherama eu consegui achar 2 reias! milagre! minha conta tá tão cheia de dinheiro que eu to andando de van só pela experiência. (risos)
homem - não importa como voce vai, quando a gente quer chegar no nosso objetivo, e ele é bom, e ele é justo, a gente tem que ir com quem vai levar a gente até lá, não importa quem. 

nos aproximamos do Vidigal. a van parou, eu desci, a van seguiu. 



segunda-feira, 21 de maio de 2012



Hoje eu floresci
a primavera 
inteira
prateada
brotou tudo
deu rosa
furta-cor
ourou 
reluziu
uma idéia translúcida
de pétala
despertou o jardim
quando choveu
o céu encostou em mim
brumeceu
acordou tudo
entumeci
e explodi jorrando 
veludo e jasmim





Conclusão de Domingo

os Alquimistas

das melhores coisa da vida:
sonhar
e depois se deparar com ele vivo na sua frente
como uma premonição de escultor
transformar pensamento em matéria

m a t e r i a l i z a r

(o contrário também é verdadeiro: tornar a matéria pensamento)

Brincar com o estado das coisas
percorrer os caminhos
entre o concreto e o abstrato
travar pontes entre o ar e o terra
é  tarefa
é dom natural do homem ser mágico
ou ter poderes sobre-ultra-naturais

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outra conclusion

a artista quando acha que dá uma grande contribuição a humanidade com sua arte, que atingiu um nível superior e patati patata, torna-se imediatamente um chato.


tinham outras mas eu esqueci.

domingo, 13 de maio de 2012


a gente se parece com o que a gente ama



terça-feira, 8 de maio de 2012

Alien



pode ser:
um negócio que sai da boca em forma de sorriso
ou palpitação
um sopro no coração
um corpo que reverbera em ondas
vontade de nunca ir embora
pés planando a 2 centímetros do chão
(e a cabeça inventando o paraíso)

alegria espontânea que do nada brota,
na manhã seguinte
em forma de riso que não sai da cara
tem gente que chama de paixão
acho que ainda não


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a manhã revela os segredos
da noite que passou
ela sempre lembra as angustias mais fundas
e multiplica a fossa (o poço)
assim que se abre o olho
ou solta a torneira um pouco
e revela o sorriso frouxo

a manhã sempre sabe
de onde a gente veio







quarta-feira, 25 de abril de 2012

Pausa no Edital

um pensamento me arrebatou

tem coisas que só faço quando estou em casa sem você

Como:

1) acender incenso
2) esquecer as luzes todas acesas
3) falar sozinha alto
4) fazer côcô de porta aberta
5) ficar mais de meia hora fazendo a mesma coisa sem ir te agarrar
6) Dormir no sofá
7) mexer no computador escutando música com a TV ligada
8) sentir sua muito, muito a sua falta



terça-feira, 17 de abril de 2012

adeus à ervilha

O abandono faz um milagre ruim com as coisas
esquecer é ingênuo o bastante
para ser mortal
tão grave e fatal quanto qualquer outro maltrato muito agudo

outro dia, uma ervilha esquecida deu bicho, deu praticamente uma colônia
ela estava herméticamente fechada num pote de vidro da Etna
mas eu esqueci dela, fiz planos de um caldo que se perderam no cotidiano 
então os bichos cuidaram dela, se apoderaram dela
e fizeram-lhe filhos


as coisas abandonadas
se vingam de nós em silêncio
criam mofo
criam raiva contida
criam traça
empoeiram
se acumulam
fazem complô
se tudo der certo, apenas se esquecem de nós como nós delas
mas geralmente
umidificam
por fim estragam ao relento
ou vão-se embora deixando um rastro fedorento

coisas, assim como pessoas
que queremos perto, que queremos bem
(aquela tia distante, aquele fubá no fundo do armário
aquela planta perdida na varanda
aquele amigo que você não sabe mesmo se está bem, aquela avó que mora em Salvador)
precisam ser cuidadas
pedem no mínimo uma vigília discreta
ou mesmo ligações ocasionais

meramente um olhar sem que elas percebam
apenas isso
faz com elas frutifiquem
ou simplesmente rendam um bom caldo
num futuro próximo

quarta-feira, 11 de abril de 2012

TOMÁNOCÚ

Eu estou ficando louca, mas acho que não estou sozinha. acho. e eu sei quem é o culpado: A CIDADE. Não é culpa minha, eu juro, é impossível um ser que mora numa cidade grande não enlouquecer, ou não ser louco de nascença porque seus pais também moram na cidade. Ontem eu tive vontade de surtar e mandar todo mundo tomarnocú 2 vezes em menos de 4 horas, não foi só vontade, foi NECESSIDADE, foi por um TRIZ. e eu não estava com nenhum problema pessoal aparentemente muito latente. é loucura mesmo. surto de cidadão. Vou contar o motivo, mas eu sei que ele não é nem um pouco grave e nisso consiste e minha loucura:

Eu tinha 10 minutos pra pagar uma conta no Banco do Brasil, na Cinêlandia, sabe esse em frente ao Teatro Municipal? 10 minutos pra não chegar atrasada numa reunião ao lado, no café do Odeon. Bom, pra começar a PORRA DA PORTA GIRATÓRIA. só pra começar. esse inferno. as pessoas ficam ali em fila. já começa um engarrafamento antes de entrar. todo mundo tem esperança que não vai apitar, que não tem tantos objetos metálicos assim em suas bolsas, então tenta, e ai a porta trava. ok. respira. volta... (pense que tem alguem tentando sair. dai engarrafou pra dentro do banco) dai você deposita seus pertences metálicos, passou. Primeira etapa vencida! Vamos pra próxima: o caixa é no segundo andar. subo correndo. cheguei. a fila não tá tão grande, quantos funcionários atendendo? mais de 4, milagre. dai vem a PORRA DA SENHA, tem q pegar senha, onde? onde? Adivinha? No primeiro andar. ANTES DA PORRA DA PORTA GIRATÓRIA! qual o resultado? TOMANOCÚ!!! Reclamei, alterei a voz, desci bufando, mas segurei, não mandei ninguém tomanocú de fato, os funcionários não tem nada a ver com isso. 

relaxa, respira. o atendimento até que foi rápido.

pá reunião. ok. no café do Odeon tem um couscous marroquinho bom, tinha que acabar antes das 16hs pra passar no Escritório de Direitos Autorais que é ao lado. não deu pra apressar a reunião. chego 16:10, fechou, não pode subir mais. QUEM INVENTOU ESSA PORRA DE QUE FUNCIONÁRIO PÚBLICO SÓ TRABALHA ATÉ AS 16HS? EU TAMBÉM PAGO O SALÁRIO DELES, EU NÃO CONCORDO! E AI?? RECLAMO PRA QUEM? 

Eu aceitei, voltei decepcionada, mas eu tinha atrasado, sabia que fechava as 16 hs, não chegou perto do nível de um tomanocú.

São 16:30. pego o metrô. Já está lotado pra Zona Sul, não tem mais nenhum lugar vago, tem q ir em pé, e apertada. Bufei de novo, que PORRA É ESSA DE METRO SEMPRE LOTADO, PÕE MAIS TREM CARALHO, 16:30 h NEM É HORA DO RUSH AINDA! Mas também não rolou um tomanocú. pensei, me enfezei, queimei uns bons radicais livres com o estresse provocado pelo enfezamento, ou seja, envelheci, mas prossegui. chego na estação General Osório, em Ipanema. Eu paguei o integração Barra, que passa no Vidigal, beleza, pra entrar no Onibus que que rola? Uma fila. Começa a chover. Muito. O que as pessoas fazem? Alguns se dirigem ao ponto de ônibus que é coberto, mas quem tem guarda-chuva prefere ficar na fila e reservar o seu lugar sentado, num trajeto que com certeza vai ter trânsito. Daí o bonde sem guarda-chuva que saiu da fila começa a ficar preocupado, porque gente que chegou depois e TEM guarda-chuva ta indo pra fila - que tá cada vez maior! - e ta ficando na nossa frente nas vagas sentadas! O funcionário do metrô, que também não tem guarda-chuva, por isso tá com a gente debaixo do ponto, fala que o prefeito EDUARDO PAES MANDOU TIRAR 4 ÔNIBUS DA FROTA, porque concluiu que com o corredor expresso não fosse mais necessário, e os ônibus (que o metro ri da nossa cara chamando de Trem na Superfície. é o caralho!) estão sempre lotados! 



Resultado: TOMANOCÚ!!!?? Não. Vamos todos pra fila, é melhor, pegamos chuva esperando 30 minutos o "trem da superfície". Olha, graças a Deus tinha um lugar sentado, era um dos últimos, senão eu não me responsabilizava.

A gente não pode nem mais mandar tomanocú porque a pessoa que merece ouvir está longe. TOMANOCÚ O SISTEMA, TOMANOCÚ A CIDADE E TODOS OS SERES MICRÓBIOS QUE SUGAM E SE FARTAM DELA. TOMANOCÚ EU!


Resultado 2: Eu to ficando maluca mesmo, é sério. e o pior, uma maluca explosiva, o que é altamente perigoso. Tem gente que sofre mais. Imagina quem pega o trem de verdade. Hoje eu tive que pegar novamente o metro as 16:30h, que repito, não é ainda hora do rush. era linha 2 pra Del Castilho. o metrô parecia uma lata de sardinha, com salmão, bacalhau, tudo junto proliferando, e as pessoas pareciam resignadas. Eu mesmo já estava mais resignadinha. Imagina isso as 18 hs?


Isso não é estress. eu que não dou conta mesmo, os argumentos são todos fracos, tem gente que sofre beeeem mais, e não tem vontade de mandar ninguém tomanocú. meu espírito é muito frágil pra enfrentar fila, porta giratória, funcionário público, transito, metrô lotado, chuva, fila de novo. Enfim, bobagens.


Um tomanocuzinho leve pra me despedir.

relaxem, é carinho.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

é mentira

é mentira que o tempo cura
nunca houve frase tão absurda, a partir de hoje quando me perguntarem eu vou falar "não vai curar"
melhora, fecha, passa a dor aguda
mas ferida que é ferida não cicatriza.


o tempo não cura
pra fazer osso, nervo, pele, ou alma colar de novo
assim como se nunca tivesse rompido
é que nem vidro
que estilhaça e enfia no pé, corta a ponta do dedo, sangra a pia
mesmo varrendo sempre sobra um caquinho
tem que ser muito imediato
nem barro, até o aço
sempre fica marcado
pode ser muito cuidadoso
enfaixar, não tocar, colocar remédio, conselho, carinho, deixar quietinho,
ou dependendo da ferida deixar respirar, proteger do sol, da poeira, do mal olhado, do inimigo
e mesmo assim fica aquela marquinha.
sempre fica aquela maldita marquinha.


a gente vai virando um ser que torceu o tendão, que interrompeu uma paixão, que deu com a cara na porta de vidro, que entupiu uma veia, que bloqueou um Natal, que nunca fica no presente quando tal música toca, de um que pé entorta quando chega naquela rua, de um nariz que congestiona quando sente cheiro de jasmim, maresia, ou asfalto molhado, que manca de saudade, de um pulso que nunca mais vai plantar bananeira.


se a memória fosse só na cabeça, a gente tava feito.
mas o corpo guarda, guarda todas as marquinhas
mais que guardar, ele procura por elas, e quando as encontra, se apega
o corpo, a alma, a pele, o pulso, o estômago, o nervo, os lóbulos vermelhos
tudo se transforma nelas
nas benditas marquinhas.



O Ziraldo

Falou uma coisa numa entrevista que eu achei que faz sentido.

Eu sempre ouço falar que deveríamos preparar as crianças pro futuro. Eu acho o contrário: devemos preparar as crianças pro presente. Uma criança feliz no presente, vai ser feliz no futuro. 
                                                                                                                                    foto: Otto Stupakoff

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Em janeiro

fui visitar uma grande amiga. entregar um presente. eu sempre acho que vou passar lá e ficar 30 minutos, mas sempre dura no mínimo 3 horas, ou 1 ou 2 garrafas de vinho e eu saio bebada em pleno meio-dia pelas ruas do Leblon. ela me deu a coisa mais linda que recebi nos últimos tempos. uma frase. talvez eu já tivesse escutado essa frase, mas naquele dia eu a recebi de presente, então foi diferente. ela era pra mim. Veio escrita numa embalagem, dentro tinha um colar de prata com um pingente de cristal que parecia uma estrela.

Aceitar o caos, perceber o caos, transformar o caos

eu, muito acelerada, falo muito sozinha. Pierre me chama de maluca sempre, por causa disso, entre outras cosas, ele diz que falo só em uma quantidade absurda. que quando não falo alto, mexo o lábio, ou seja, penso alto o tempo todo. todo o mistério do meu planeta seria facilmente desvendado por um surdo, pois eles lêem lábios muito bem. Os surdos saberiam mais de mim. Os surdos sabem mais sobre qualquer pessoa. Mas o fato é que falar sozinha me livra de muita coisa, como por exemplo, terapia.  Nunca fiz terapia, e meio que acho legal ter conseguido sozinha superar tanta coisa sozinha. Minha terapeuta é o vento que me escuta, eu falo muito pra ele, repito inclusive, ensaio diálogos, brigas, conversas importantes, invento peças, filmes, repito coisas que aconteceram, que eu achei engraçadas ou tristes. e principalmente, digo coisas que eu devia ter dito. Que pena que me dá, tenho vontade de voltar na cena (isso daria uma cena) e dizer tudo aquilo que devia ter dito. O problema é que sou tão, mais tão distraída, que as vezes nem percebo a ofensa que recebi, e só depois quando chego em casa, percebo " iii aquilo foi uma ofensa". Tarde demais, então, desconto, discuto com o vento. Por isso tenho preguiça de contar minhas coisas pra minhas amigas, porque geralmente já contei muito pro vento. Por isso também tenho preguiça de gente que adora contar e contar e repetir pra todos coisas sobre elas mesmas, são chatas porque não falam com o vento. Também serve pra extravasar a quantidade de pensamentos, ideais e julgamentos. sou virginiana, reflito sobre tudo! E percebi o quanto questiono o tempo todo sobre as atitudes que tomei, se foram ou não éticas.
Consigo enxergar o lado do outro como poucos, e acho que isso é um dom.

eu sei defender meu inimigo

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Tenho uma vontade.
me isolar completamente e escrever, escrever até não sair mais nada. Virar noites e dias e escrever. Escrever é também falar, então mais um vez eu falo sozinha. e quem me lê, faz também o exercício dos surdos. 




Só aquele que leva o caos dentro de si, pode dar a luz a uma estrela dançarina
                                                                                                                     Nietzsche

domingo, 23 de outubro de 2011

doindin



Cada vez mais sóbria e cada vez mais louca

sábado, 17 de setembro de 2011

Divisa

                                                             
           

Antes de dividir águas 
Unificar os solos
Diminuir o vão
Transgredir passos
A cada passo
Transpor abismos com pés alados
E depois: Ocupar  o novo espaço
Habitar, fazer dele seu lar
Descansar as asas e pisar descalço
No que sempre foi meu
No que sempre foi nosso
é nosso onde o olhar alcança
é nosso onde o sonho aterriza
Sempre foi nosso o que a gente cria
e se o que gente cria é a mais pura
Verdade, então é toda nossa
                                                                                                        A realidade

terça-feira, 16 de agosto de 2011


Escolher 
algo
é 
torná-lo
valioso

quinta-feira, 30 de junho de 2011


PROTEGIDA

terça-feira, 28 de junho de 2011

Sonhar com alguém é compartilhar algo íntimo

ou  FASE VERMELHA



primeira coisa, me adapto muito fácil. sou mercuriana. fácil fácil

*
sonhar com alguém é compartilhar algo íntimo. sonho com pessoas aleatórias e sempre considero um encontro

*
voltando de um teste para caixinha de tinta pra cabelo, no ônibus conversei com uma menina que via pela primeira vez. contamos nossas vidas e eu confessei 'segredos de caixa com cadeado' à uma estranha.

*
 descobri recentemente uma vocação para ser ouvinte de pessoas desconhecidas e permanecer anônima.

*
estava num dos primeiros apartamentos que morei. com minha mãe na Rainha Elizabeth, Ipanema, Posto 8. Era de fundos mas a visão da garagem nunca me incomodou. debruçava naquela janela e ali já fiz de um tudo. de bodar simplesmente, às primeiras travessuras como tacar ovos nos carros. sempre fui moleque. mas também era menina e brincava de elástico com a Monique, minha melhor amiga. e foi com a Monique também e mais um menino que não lembro bem, que brincava de médico no banheiro azul. que era o mesmo banheiro, eu acho, que antes dos meus pais se separarem, eu devia ter uns 2 anos, tomava banho com meu pai e via eles pelados sem problema nenhum. quando saia do banho corria pra secar o rosto e vestir a toalha com capuz. Voltando ao sonho, eu abria o armário e pegava roupas que gostava e que estavam lá guardadas há anos. foi um sonho feliz.


terça-feira, 21 de junho de 2011

haikay do sim



Dá pra ser?


Só não demora...Sabe porque?


tá tão bom agora!

terça-feira, 10 de maio de 2011

O monstro da transformação




2011, um ano de transformações radicais.

"Egito desafia tanques"
"Governo bloqueia comunicações com internet"
"Toque de recolher decretado em todas as cidades do Egito"

As nações islâmicas rompem o silêncio de 30 anos e clamam liberdade. Ditadores caem, o homem mais procurado do mundo morre. Uma mulher governa nosso país. Entre tantos, tantos outros paradigmas quebrados, tabus dissolvidos. E nós cada um de nós, será que acompanhamos esse ritmo mundial? Será que o coração do revolucionário do Egito é também globalizado, será que pulsa em nossas veias, será que nos comove as famílias inteiras entrando na luta armada em prol da liberdade em seu país? Pais, mães, crianças, sogras. Onde estão as nossas?

O que mudamos? O que rompemos? O que transformamos cada um de nós? A cada dia, a cada minuto? O que? Porque nos calamos? Porque engolimos o que não concordamos? Do que temos medo? Medo de mudar. Mudar dói.

Mubaraki cai. Kadafi cai? Os parlamentares caem? 23 hectares da nossa floresta não precisam ser recuperados?

Nunca deixamos de ser répteis. Nunca deixamos de ser peixe. Nunca deixamos de ser aquele peixe que invadiu a terra e começou a caminhar na luta para sobreviver. Que transformou guelra em pulmão, que aceitou o oxigênio, que criou patas e andou, abandonou cardumes, sereias, abandonou seus pais, e seus filhos. Andou e procriou até chegar em nós. Ele fez o máximo. Aquele peixe que nunca foi peixe, que sempre foi híbrido. Se ele mudou, porque não podemos mudar? Nunca deixamos de ser americanos, egípcios, árabes, kilombolas, pataxós. Nunca deixamos de ser o que fomos e nunca seremos se não transformarmos. A barbárie sempre existiu. Uma guerra beija a outra passando a saliva amarga e nós nunca sabemos o que realmente a causou. Não devíamos acreditar nos livros de História. A História é outra. Qual? Não devíamos acreditar nos livros de biologia: somos répteis: trocamos de pele. Descascar dói. Dói porque nunca mais será a mesma pele, nunca mais seremos os mesmos a cada segundo, uma notícia, um espirro nos transforma então porque temos medo? O novo é um mostro que nos amedronta e nos seduz.
Encararemos o monstro e quem sabe nos casemos com ele.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Astronautas

Coisas que ficam do espetáculo:

1.
2. Singularidade é o princípio de tudo.
3. O Big Bang é apenas uma hipótese.


5. Os cientistas são como artistas, criam suas teorias.

6. Mas depois a abandonam se essa teoria não se aplicar a realidade.

7. O vazio está cheio de potencialidades, a vida se cria, se desmancha e se recria infinitamente no vazio. o vazio é instável. a vida é instável e capaz de invertar a si própria a partir do nada.

8. Os astronautas comeram ovos, carne e suco de laranja antes de pisar na lua.

9. a madrugada já raiou.

10. O cérebro é mais vasto do que o Universo.

11. O Universo não para de se expandir. As pessoas também estão se afastando?

12. Como eu amo Eisntein!

13. 2 coisas são importantes na vida:
- um mestre, que te proponha questões
- amigos, pessoas a quem você se associa livremente para desvendar os caminhos da vida.

14. Nenhum momento de raciocínio supera um de emoção.

15. O Universo não para de se expandir. As pessoas também estão se afastando?

16. é bonito os aplausos ficarem sozinhos no fim.








fotos: Daniel Roland

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Don Juan

Foi parar num bar, num domingo inesperado, com roupa da praia, as 18 hs já era outono no Rio. A temperatura morninha, fresquinha de brisa, abraçava, fazia carinho na pele. Numa outra mesa, de repente percebeu aquele professor, de quando tinha 15 anos. Ele era muito bonito naquela época, mas ela com 15, criança demais, nunca pensou. Naquele bar ele já não é tão bonito, nem ela tão criança. 15 anos se passaram. Mas ainda sim, os dois guardam um pouco do que foram: um homem e uma menina que cresceram. Se cumprimentam de longe. Ela nem lembra mais o nome dele perfeitamente. Vai ao banheiro. De repente um estalo, volta. Bebe mais um copo de sangria, ele mudou de mesa, está com amigos. Ela vai ao banheiro, no segundo andar, antes que pudesse entrar, num relance, ele aparece. Se aproxima da pia com espelho que divide o banheiro feminino e masculino. se aproximam. O bar já não estava cheio, o segundo andar particulamente vazio.

- vamos trepar , ele diz
- trepar talvez não, mas podemos dar uns beijos
entram num dos banheiros.

O tesão é que nem um vírus. Encubado num corpo sem manifestar sintomas. Quieto. O tesão iberna e acorda faminto num outono de aquecimento global. Acredita na inocência. Acredita no destino.

o gosto do beijo, acorda com ela
um sonho erótico também deixa marcas.

sábado, 9 de abril de 2011

é assim que eu me apresento



quinta-feira, 7 de abril de 2011

Ten Chi - céu e terra de Pina Bausch

I can´t ask you all the questions


You can´t give me all the answers


I had witnesses


You had none


I loved

Pra chegar foi turbulento assisti à beira das lágrimas, à beira da boca, dos olhos e dos ouvidos

*


é impossivel não pensar no que está acontecendo no Japão.


No que está acontecendo conosco


No que está acontecendo comigo


*


Gosto de observar a platéia quando entro num espetáculo, as moças cariocas andam ansiosas, usam meia-calça mas ainda está calor. Os catálogos e as revistas deixam as meninas apressadas pro inverno que ainda não chegou. Olho tudo. Nesses momentos tenho a impressão que tenho mais talento pra observar do que pra qualquer outra coisa no mundo. Tem um homem que também observa. Não diz nada, nem com a expressão. Não consigo decifrar o que ele está pensando. Ser de alguma forma indecifrável torna uma pessoa imediatamente instigante. Ao meu lado tem um velhinho bem velhinho. eu adoro os velhinhos. Penso 'está a beira da morte'. depois penso 'como todos nós'. ele não está mais próximo da morte do que eu por mais que possa parecer. Saudade da minha vó Rosa. preciso ir a Bahia.



Os dançarinos são os artistas que tem a relação mais livre com o próprio corpo. e com o corpo do outro. Por isso eu os considero revolucionários. No século 21 ainda não temos liberdade com o nosso corpo nem com o corpo do outro. Teatro pode ser muito chato, mas quando ele acontece, ninguém pode mais roubar esse momento de nós.



'quando não há mais o que dizer é porque chegou o momento de dançar' Pina Bausch

sexta-feira, 11 de março de 2011

damage


- you've got to take care with damaged people
- why?
- coz they know they can survive

uma das coisas mais lindas desse filmes, entre tantas

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Um lugar pra voltar









O Instituto Moreira Sales é um dos lugares mais lindos do Rio. Mais agradáveis. Um lugar pra ir sozinha. Pra ir acompanhada. Fomos eu e mami à exposição do Ródtchenko no último dia. emocionante. Me sinto essa mulher, a sombra de uma persiana. No futuro subindo as escadas com meu bêbe. Me sinto essa criança na bacia. Minha mãe reclamou da minha roupa antes de sairmos. Sempre diz que me visto 'mixa'. Adoro as gírias da minha mãe, um dia escrevo só pra elas. Brigamos. a toa como sempre. Brigas são quase sempre a toa e tão necessárias qua magoa muito. Troquei de roupa para agradá-la. Acho que consegui. Fui com um vestido, dos que eu mais gosto, que comprei num brechó em ipanema. Uso muito de vez em quando. E com esse vestido, parecia que eu era parte daquela paisagem modernista. Me misturei aquela paisagem de folhas grandes, de paredes brancas. Delicada. Triste. Tropical. Reta. Feminina.































domingo, 30 de janeiro de 2011


borboletas e andorinhas na barriga

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

o amor e suas consequencias

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2 mil Elevem!

31.12.10


eu sei que é apenas mais um dia, como todos os outros. dizem os céticos. eu tentei ser cética. mas no fundo eu sou mística então chega de tentar dissimular e disfarçar. Nenhum dia é igual ao outro. eu curto Ano Novo. gosto dessa coisa de acabar e começar. live and let die, reza a tatuagem na cintura da Cléo Pires. sendo verdadeira ou photoshop da Playboy, eu acredito na cintura da Cléo Pires. Manda o calendário Gregoriano: nesse único dia, tudo fica pra trás e diante do próximo segundo, tempos nunca dantes navegados. que alívio. todo dia pode ser acabar. todo dia pode ser começar. mas um dia em todos acreditam que pode acabar e começar naquele minuto, naquele segundo paff!!!

nota-se: hoje a maioria dos humanos comemora Ano Novo.

os humanos são curiosos. se vingam até das criaturas invisíveis. se vingam do tempo.
os dias são as rugas do tempo.



1.1.11







Amo ano ímpar. nasci em ano ímpar. Copacabana estava linda. eu mais sobria do que nunca. confesso que tive medo. ele me convenceu. encarei com amor esse clichê carioca, aquele mar de gente de branco. de Oxalá, de Iemanjá no altar. fui da Van! e fiquei lá mesmo onde ela me deixou, feliz, na Francisco Sá. eu e ele.

a gente se ama e a gente se basta. ter alguém. ser de alguém. no fundo é isso, ou então é ao contrário, a gente é que se doa. mas isso não vem ao (a)caso.

*

Ah os FOGOS!! Como é linda a explosão. Dá uma emoção, aquelas luzes explodindo. e as cores pipocando. a alma explode junto. e a gente fica assim, olhando maravilhado

*

Saquarema 2008/2009. a praia de Vilatour era nossa. A gente descobriu a MELHOR COISA DO MUNDO. correr com os fogos! é assim: quando explodir você corre, corre, corre junto com a explosão. parece que a gente explode também correndo e espraiando o estilhaço brilhante. depois você vai cair cansado na areia e vai rir aquele riso de criança que fez aventura, aquele riso bobo que não sabe bem porque mas que se entende a felicidade.

***

quando eu tinha 12 anos a melhor coisa no mundo era pular do sofá, na hora exata do 3,2,1,0 e comer uma uva. e fazer um desejo . eu nao me lembro o que eu desejava naquela época. não consigo lembrar de nenhum desejo. acho que eu queria que o Marcos gostasse de mim.

****

na viranda eles colocaram música clássica. ficou bonito. épico. teve uma hora que rolou samba com clássico

*****

fomos eu e ele. sem avisar ninguém. fomos. como no fundo somos. eu e ele. sou par
cuidar é bom

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Shopping Nova América

Tem um menino caído na passarela
caído na passarela que leva a um shopping
não sei caído de que
se caído de desmaio, de sono, de morte ou de cansaço
o menino é negro
mas eu não preciso dizer que o menino é negro
meninos caídos na passarela são todos negros
as pessoas passam pelo menino
e pulam o menino caído no meio do seu caminho
eu não
eu paro diante do menino
quero tocá-lo pra ver se lhe resta vida
pra ver se resta vida em mim
me aproximo e sinto a respiração mansa
e corro em direção ao segurança
falo que tem um menino caído
ele diz que não trabalha na passarela
que trabalha no shopping no fim dela
que ligou pros bombeiros
o menino caído espera transparente
quase sem vida
em meio a centenas de transeuntes
o menino caído e os transeuntes são o mesmo
falta vida também aos transeuntes
que pulam o menino caído e vão ao shopping fazer compras de Natal

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

eu vou te dar carona

senta do meu lado
eu ligo o rádio
depois eu ligo o carro e vou
te levar não sei
pra onde, a gente vai ouvir caetano cantando joker
man, a gente vai falar mal
de umas 136 pessoas e levar algumas multas
talvez, eu prometo adrenalina
no caminho eu paro de repente eu pego contra-mãos eu vou
te dar carona baby, sempre, a gente vai ser
feliz, depois de chegar na sua casa
eu sou boazinha, eu mudo meu caminho
pra te dar carona eu te deixo
aonde você quiser só pra parar em frente ao seu prédio e gargalhar
até a barriga doer
só pra lembrar da sua gargalhada com seu dentinho que eu lembro perfeitamente
agora e do formato da sua boca
quando você ri
eu pego carona na sua risada
..





sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O amor é uma doença como outra qualquer

O verdadeiro amor é suicida. O amor, para atingir a ignição máxima, a entrega total, deve estar condenado: a consciência da precariedade da relação possibilita mergulhar nela de corpo e alma, vivê-la enquanto morre e morrê-la enquanto vive, como numa desvairada montanha-russa, até que, de repente, acaba. E é necessário que acabe como começou, de golpe, cortado rente na carne, entre soluços, querendo e não querendo que acabe, pois o espírito humano não comporta tanta realidade.


Ferreira Gullar




o texto todo é sublime
http://sonhoepopular.blogspot.com/2009/08/sobre-o-amor-ferreira-gullar-houve-uma.html

domingo, 24 de outubro de 2010

devaneios de domingo

28.09.2010

Estou lendo Os diários de Susan Sontag. Letícia tinha razão. faz tempos que não leio um livro com tanto prazer. esse prazer de ler em qualquer brecha, no intervalo do ensaio, no ponto do ônibus, de levar na bolsa pra qualquer intervalo. como é bom ver a vida, fragmentada, e sincera de uma mulher interessante. e 'QUE MULHER'. ela me inspira. inclusive a retomar minhas anotações diárias. e colocar datas, pelo menos de vez em quando. os números também falam. me lembrei de quando era pré-adolescente, a internet ainda não era acessível e tinhamos costume de fazer diários e muitos vinham com cadeados (fofíssimos). hoje o blog não deixa de ser um diário, mas ele não é privado e isso muda tudo. tem coisas que tenho medo de confessar até para um diário. as piores coisas. as melhores coisas. ser completamente franca ao ponto de cravar isso num papel exige coragem. é preciso ter coragem.

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tenho um cíume egoista das coisas que mais gosto. como livros. tenho ciúmes das coisas que não são minhas.
ridícula.

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ele disse que já beijou todas -todas, todas - as partes do meu corpo

ele tem o mapa do meu corpo em sua boca


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4.10.2010

falar sobre o filme e o cinema
sobre as eleições
sobre desejos

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escrever: O elogio ao inimigo

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13.10

ouvir: Julie London

conseguir: ler Ulisses

meditar

ver: O filme do Joy Division

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o mais difícil de todas as decisões é ROMPER
ROMPER


R O M P E R

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16.10.2010

pintei as unhas de lilás, que cor linda, depois pintei de laranja. não pinto as unhas sempre. gosto delas curtas e nuas. mas quando faço fico hipnotizada olhando pras mãos o tempo todo. olho pra elas fazendo tudo, pegando algo na prateleira, abrindo a maçaneta. parecem mãos alheias. lindas e alheias





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domingo 17

Praia. eu e Pi. a primavera é a melhor época do ano: sol gostoso, flores explodindo e poucos turistas. encontramos J e N no caminho, pegamos carona. eles tinham uma prancha de surf no carro. obaa! no caminho eles acenderam um. isso me lembrou meus 17 anos quando tudo na vida era ir pra praia surfar e sempre no caminho acendiam um. vários litorais. leblon, reserva, joatinga, grupari, floripa, garopaba, guarda, rosa, olivença, san diego, trestles, arpoador. hoje arpoador. por do sol sentado na prancha. vida de golfinho. hoje ponho a ganga na areia (quem diria) como se tivesse nascido fazendo isso. a vida pode ser bela e a felicidade chega quando a gente se distrai.

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atração. funciona.

" a próxima fronteira não é o espaço e sim a mente"

oh bruta flor do querer. oh bruta flor, bruta flor !

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fase boa. muitos sonhos. abro o olho antes da hora definitiva de acordar e lembro absolutamente tudo que sonhei. tudo. fecho o olho, durmo o paraíso em 10 minutos. tenho 20 mil imagens - não chamo mais isso de sonho - que são mais uma mistura de devaneios com ressaca moral - sim sou virginiana - não lembro mais de NADA! sonhos esquecidos.

'você está me convidando, menina quer brincar de amar' (tocando agora)

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sempre soube, desde a época que estudei nos EUA que os indianos eram bons em matemática. ontem vendo tv as 4:48 da manhã - insone a essa altura da vida - descobri que eles inventaram os algarismos decimais. primeiro do 1 ao 9. depois faltava um número para que eles pudessem avançar. descobriram: o zero. centenas de anos depois os ocidentais chegaram ao zero e proclamaram a sua autoria. depois de inventarem todo o sistema decimal os indianos avançaram na trigonometria, entendendo a relação matemática entre os ângulos do triangulo e o comprimento do seus lados. como a lua, o sol e a terra formam um triângulo eles conseguiram calcular a distância da lua pro sol, do sol pra terra. formularam as primeiras equações com duas incógnitas, x e y. os indianos não usavam os números apenas para contar coisas, panos e vacas. eles tinham uma visão abstrata dos números. o que possibilitou os indianos avançarem tanto na matemática foi o poder da ABSTRAÇÃO.
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28.09.2010




agitada e fragmentada


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eu só penso nisso
eu só quero isso

isso me lembrou um poema que escrevi quando tinha 18 anos. nessa época eu só queria uma coisa, hoje eu quero outra. meu querer evoluiu, penso eu. mas de qualquer forma

eu só penso nisso
eu só quero isso

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domingo, 24


ele disse que me visto que nem uma maluca, que faço misturas sem nexo. tudo bem. tem alguma coerência em uma pessoa incoerente e maluca se vestir de forma incoerente e maluca. ok. estou no caminho certo. no meu lugar. no way out.



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eu pratico domingos sem sair de casa



Banal

Coisas que pensei na Caixa Econômica Federal da Gávea enquanto espero cerca de 3 horas pro gerente me atender

1) aparece um homem com o pé amputado. ele usa uma botinha ortopédica. não tem todo o pé amputado, só a metade, não tem os dedos mas tem calcanhar. usa meias sob a botinha. tem uns 40 anos e é mulato. não parece triste, está concentrado em andar usando a muleta. Será que foi recente? diabetes? acidente? má circulação? os pés acusam coisas que se passam aparentemente longe deles. No outro pé, usa um tênis novo, novíssimo, de marca. isso me chama atenção, sinto um misto de pena e orgulho, tem uma coisa de bem cuidada nesse homem com um pé amputado e o outro pé com um calçado super legal. fiquei compadecida com essa cena. e pensei: o que será que ele faz com o outro par do tenis?

2) tem uma mulher querendo embarracar por causa do atraso no atendimento. é mais do que absurdo, é obseno. você vai na Caixa ou no Banco do Brasil e não marca mais nada até as 4 da tarde, ok? reserva o dia pra isso, para ir na Caixa. Eu sempre quero embarracar nesssas ocasiões. mas hoje não quero. e por um único motivo, eu não estou atrasada. o atraso faz loucuras com o ser humano.

3) fui atendida. a gerente é fofa. faz o tipo bem bofinho, se veste de forma sóbria, calça preta meio larga, blusa preta de manga comprida, com algo de cor escura por dentro. nenhum pedaço de pele a mostra no corpo. cabelo curtíssimo. nenhuma maquiagem. mas ela tem a voz tão doce, e um jeito tão meigo que cria uma contradição naquele visual. a meiguice é o auge da feminilidade. ela tem o auge da feminino no auge na falta dele. ela sentada de frente pro computador eu do outro lado a observo enquanto ela trabalha. percebo como é descobrir alguém. não presto tanta atenção ao que ela fala, mas sim no contorno do seus traços, nos olhos grandes e a sobrancelha fina e natural com pelos fora do contorno (raro hoje em dia). vou mapeando seu rosto. ela tem lábios carnudos, sensuais e um sorriso infantil, com dentes pequenos e gengivinha aparecendo. mais uma contradição. ela me lembra alguém. parece da mesma família. eu saio fazendo laços familiares na rua, porque acho os traços de uma pessoa muito parecidos com os de outras. tive vontade de perguntar. a gente descobre alguém assim. mapeando os poros. a gente conhece alguém assim, pedaço por pedaço.